Realidade ou Ficção: O menino perdido

Neste texto sobre um caso de desaparecimento conhecido como o menino perdido, pergunto à vocês: realidade ou ficção?

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Um menino de 10 anos sumiu. Em uma sexta-feira, do quintal da casa, de dentro de uma barraca. 

As perguntas mais comuns em um caso como esse seriam: “Como isso aconteceu?”, “Onde estavam os pais? “, e, claro, “Ele já foi encontrado?”

O Menino Perdido, como a imprensa passou a chamá-lo, era Billy Barringer, um garoto sequestrado no subúrbio dos Estados Unidos, de um dos lugares considerados mais seguros do país. Trazendo medo e insegurança a todos, porque, se algo assim podia acontecer ali, então nenhum outro local estava em segurança.

Apesar do grande clamor, a história era simples: Alguém entrou furtivamente no quintal no meio da noite, rasgou a barraca em que o menino dormia e o arrancou dela. O que não era tão simples é que Billy não estava sozinho nessa barraca. Junto dormia também Ethan Marsh, seu melhor amigo, também de 10 anos. 

Os dois tinham o combinado de às sextas-feiras acamparem no quintal de Ethan e a reunião já vinha acontecendo há um tempo antes do fatídico dia. Sobre o desaparecimento, Ethan sempre alegou ter dormido a noite toda, sem perceber o que havia acontecido, até ver o Sol se esgueirando para dentro da barraca por um rasgo que ele sabia não estar lá na noite anterior. 

De início tudo era muito confuso, até mesmo para a polícia. Não havia pistas, não havia motivo, não havia um suspeito.

Todos os anos mais de 500 mil pessoas são dadas como desaparecidas nos Estados Unidos. A grande maioria é localizada e, muitas vezes, sãs e salvas, mas algumas não tem tanta sorte e acabam aparecendo no NamUS, o sistema nacional de pessoas desaparecidas e não identificadas. Billy aparece no site, com uma foto sua tirada no ginásio do colégio, com a triste palavra desaparecido em baixo, mesmo seu caso já tendo mais de 30 anos. 

Mas como um menino pode ser levado do quintal de uma casa sem ninguém ver? Onde estavam os pais de Ethan, donos da residência e, consequentemente, responsáveis pelos dois garotos no quintal? O que fizeram as autoridades que em 30 anos não souberam resolver esse desaparecimento? 

A única certeza que estes tinham era que em algum momento entre as onze da noite do dia 15 de julho e as seis e meia da manhã do dia 16 de julho, alguém abriu um corte de 96 centímetros no lado esquerdo da barraca e, por ele, puxou Billy.

O exame do corte, realizado por peritos minuciosos, indicou ter sido feito pelo lado de fora da barraca e que se tratava de um corte limpo, sendo utilizada, provavelmente, uma faca de cozinha nova ou recém-afiada.

Essa informação levou a uma busca em todas as casas da rua, mas o resultado foi apenas a apreensão de várias facas que, depois de testadas, nenhuma pôde ser identificada de maneira conclusiva como o mesmo objeto utilizado.

Todos na vizinhança também foram interrogados por policiais, investigadores de polícia e agentes do FBI. Nenhum morador relatou ter ouvido ou visto nada suspeito. 

Uma unidade de cães farejadores encontrou um único vestígio de Billy, seguindo seu cheiro por cerca de dois quilômetros pela floresta que circundava a rua, onde a trilha terminava em uma via pouco usada, levando a polícia a considerar que o menino havia sido levado da barraca até um carro.

Não havia sinais de luta corporal, nem dentro nem fora da barraca. Ninguém relatou ter ouvido gritos de socorro ou pedidos de ajuda. Não encontraram manchas de sangue ou pegadas recentes no quintal. Mas durante muito tempo alguns suspeitos foram considerados. O primeiro, Fred Marsh, pai do melhor amigo, dono da casa.

O crime ocorreu em sua propriedade, aos seus cuidados. A esposa jurou de pé junto que ele dormiu ao lado dela a noite toda. Ele se mostrava um marido dedicado, professor de sociologia em Princeton, um homem zeloso e cumpridor da lei, nunca recebeu sequer uma multa por excesso de velocidade. 

O segundo suspeito foi Blake Barringer, o pai de Billy.

O corte foi feito na lateral da barraca que dava para a casa dos Barringer, então foi presumido que o sequestrador veio dessa direção. Mas o pai era representante de vendas farmacêuticas e estava em Boston naquela noite, viajando a trabalho. Dezenas de testemunhas o viram no bar do hotel até perto das onze da noite e fazendo o check-out na manhã seguinte, somente depois de ser avisado que Billy havia desaparecido. Além de um álibi, não havia nenhuma razão pela qual Blake quisesse fazer mal ao filho, e ele parecia genuinamente angustiado pelo ocorrido. 

Os outros suspeitos cogitados eram basicamente todos os moradores da vizinhança que estavam presentes na rua naquela noite. Todos com um total de zero pistas convincentes.  

Ao longo dos anos, muitos afirmaram terem visto Billy já mais velho, empacotando compras no supermercado, por exemplo. Cerca de sete homens se apresentaram dizendo ser ele. Nenhum procedia. Com 30 anos passados, quase todos acreditam que o suspeito é um desconhecido. Há boatos que alguém (ninguém sabe quem) alegou ter visto um homem desconhecido com roupa camufllada vagando pela rua mais próxima um dia antes do desaparecimento. Mas nenhum nome foi dado a esse homem ou até mesmo provado ser verdade sua presença.

Trinta anos depois, as coisas continuam na mesma. Nenhum culpado. Nenhuma resposta. 

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